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2/10/2008
UWB promove inclusão em parceria com o Senac

Refletir sobre a importância de incluir pessoas portadoras de qualquer deficiência no ambiente de trabalho: com esse objetivo, a United Way Brasil (UWB) e o Senac promoveram, em 11 de setembro, a mesa redonda “Empresa, sociedade e inclusão da pessoa com deficiência”. O evento aconteceu na Casa do Bem Estar, da PricewaterhouseCoopers, localizada na Barra Funda, em São Paulo (SP), como parte das atividades da maratona Uma Semana Caminhando Juntos.

A mesa reuniu especialistas da UWB e do Senac e representantes da Rede de Responsabilidade de São Mateus – o jovem em primeiro lugar. Os palestrantes expuseram idéias e apontaram que a inclusão efetiva do portador de necessidades especiais requer ações para qualificá-lo e capacitá-lo.

A antropóloga Jaqueline de Camargo, Superintendência de Projetos, Parcerias & Alianças da UWB, abriu o debate lembrando que a natureza da instituição que representa é naturalmente inclusiva. “Agora, abraçamos também a causa dos portadores de deficiências, que deverão integrar nosso foco de atuação”, salientou. Jaqueline contou que o envolvimento da UWB com o tema foi despertado após uma pesquisa realizada com os jovens ligados a projetos apoiados. “Constatamos que eles não tinham uma opinião formada sobre deficiências. A UWB não poderia continuar sem responder a essa questão específica; daí, procuramos desenvolver uma parceria com o Senac.”

Envolvimento da comunidade
Luzimar Guimarães Pereira, técnico do Núcleo de Desenvolvimento Profissional do Senac, afirmou que é cada vez maior o interesse de empresas pela inclusão: “seja por preocupação legal ou pela valorização da diversidade”. Na visão dele, a proposta da United Way traz um desafio maior: “Além de capacitar pessoas, a UWB pretende envolver toda a comunidade”. A proposta a que ele se refere é um projeto, ainda em fase de desenvolvimento, chamado “Alex”, o qual deve beneficiar as organizações de base comunitária, para promover a qualificação de portadores de deficiências, no mesmo nível de excelência com o qual já trabalham. “O projeto é de longo prazo e a meta é, daqui a dez anos, conseguirmos ver a questão do deficiente físico de uma outra forma, com muito mais oportunidades e integração efetiva no mercado de trabalho”, explica.

O grande desafio, na opinião de Mário Valle, do Núcleo de Desenvolvimento Institucional do Senac, é mudar os paradigmas e dar a todos a possibilidade de mostrar suas habilidades. “A sociedade tem que se adaptar e não o contrário”. Para ele, o Senac é um bom exemplo de cumprimento do preceito legal, pois é uma instituição de ensino e não faz restrições quanto ao tipo de necessidade especial na hora de preparar seus alunos profissionalmente. “As empresas querem pessoas que não precisem de grandes adaptações. No Senac, ao contrário, se o aluno é surdo e quer ser programador de computador, vamos buscar um tradutor de libras para poder atendê-lo e desenvolver suas potencialidades”, exemplifica.

Diferenças respeitadas
Já para Amílcar Zanelatto, deficiente físico desde o nascimento e professor do Senac, o que deve ser mudado, em primeiro lugar, é a forma de tratamento, pois as terminologias – portador de necessidades especiais, cadeirante, entre outras – foram cunhadas por não- deficientes. “Prefiro o termo pessoa com atipicidade de ordem física, intelectual ou visual”, afirmou Amílcar.

Ele acredita que a lei brasileira que determina que as empresas contratem profissionais com deficiências é boa, mas ainda é necessário que os profissionais sejam efetivamente integrados. “Todos devem ser incluídos, não importa quão grave seja sua atipicidade”. Por último, o professor refletiu sobre a importância de todos os cidadãos reconhecerem e perceberem o universo dos portadores de deficiência. “A cidade é inacessível, mas as pessoas também são, as diferenças devem ser respeitadas.”

Janilson das Neves Pinheiro, empresário e fundador da Rede de Responsabilidade Social de São Mateus, foi enfático sobre a abordagem do assunto:“Temos de acabar com as barreiras arquitetônicas para daí fazermos uma sociedade melhor”. No Centro de Profissionalização de Adolescentes, o CPA Padre Bello, que faz parte da Rede de São Mateus, um banheiro começará a ser totalmente adaptado. O CPA oferece cursos profissionalizantes gratuitos,a jovens de 15 a 18 anos. “Trata-se de um ato simbólico”, explicou o coordenador do CPA, Flariston Francisco da Silva. “Na verdade, é nosso primeiro passo para passarmos a receber jovens portadores de deficiências.”

De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano de 2000, o Brasil tinha cerca de 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência; 4,5 milhões com até 24 anos de idade. Apesar da existência de leis que tratam do assunto, o acesso à educação e ao mercado de trabalho ainda é complicado e, quando são empregados, recebem salário menor.

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