

A Associação Caminhando Juntos (ACJ) agora se chama United Way Brasil. Essa notícia pode parecer estranha para quem sempre entendeu que United Way, uma importante ONG internacional, tinha adotado um nome “tropicalizado” desde quando chegou em terras brasileiras em 2001. Por questões estratégicas, a partir de agosto de 2008, a ACJ assume aqui o nome original da entidade que lhe deu origem, acrescido de Brasil no fim.
A equipe brasileira concluiu que usar o nome em inglês facilita a associação direta da sociedade, das empresas e funcionários investidores, com o trabalho secular da tradicional United Way americana e, por conseqüência, pode ampliar os canais de contatos e parcerias. Nascida nos Estados Unidos em 1887, fruto da união de esforços de um padre, dois pastores e um rabino em prol da comunidade da cidade de Denver, a United Way é uma das maiores e mais respeitadas organizações não-governamentais americanas.
Na entrevista a seguir, Mark Vogt, diretor da PricewaterhouseCoopers (PwC) e presidente do Conselho da United Way Brasil, fala sobre a mudança e os desafios futuros e de como ele começou a contribuir pessoalmente com a United Way aos 16 anos.
Como surgiu a idéia de assumir o nome United Way Brasil?
Mark Vogt: Quem propôs a mudança foi o nosso comitê de comunicação. Observamos que, sempre que explicávamos a representantes de uma empresa que a ACJ era uma organização brasileira vinculada à United Way, o impacto era muito maior ao ouvir o nome original americano. E reconhecimento é fundamental na captação de novos investidores. Concluímos que a marca já estabelecida no exterior, acaba tendo mais valor, principalmente quando se quer atuar com pessoas que não conhecem nosso trabalho e podem ter mais confiança em nossa organização devido à nossa ligação internacional com a United Way.
Do ponto de vista da filosofia de atuação, haverá algum impacto da mudança de nome em relação aos projetos financiados?
– Não. Tanto o antigo nome quanto o novo refletem e reforçam nossa filosofia de somar esforços para melhorar as comunidades. Unindo nossas cabeças, nossas mãos e nossos braços, construímos “pontes”, que ligam empresas com outras empresas, empresas com organizações comunitárias, organizações comunitárias com outras organizações comunitárias, e, sobretudo, pessoas com pessoas.
Essa mudança no Brasil é reflexo de uma diretriz global?
– Há uma certa coincidência com um movimento global. No Global Summit, realizado no Canadá em junho (leia notícia aqui), falou-se muito num esforço de criar uma rede internacional mais forte e em promover uma integração maior entre as United Ways. Da mesma forma que nossas empresas associadas são organizações globais, há uma expectativa de que suas parceiras na área social também atuem como organizações globais.
Dentro desse novo contexto, existem outras mudanças previstas?
– Sim, um dos valores que será promovido é o da transparência. Queremos demonstrar por diferentes vias como utilizamos de forma responsável os recursos de nossos colaboradores. Faremos prestação de contas por relatório e por canais de comunicação como essa newsletter. Vamos mostrar de que maneira estamos gerando resultados e investindo os recursos que são confiados a nós.
Como você conheceu a United Way?
– Para uma pessoa como eu, que foi criada e começou a trabalhar nos Estados Unidos, a exposição pública da United Way é muito forte. Existem campanhas publicitárias bem divulgadas, inclusive em todos os jogos de futebol americano na televisão. E a grande maioria das empresas incentiva os empregados a contribuir à United Way. No meu caso, aos 16 anos, quando ainda estava no colégio e comecei a trabalhar em tempo parcial, recebi a ficha de contribuição já no primeiro dia e decidi doar cinco dólares por mês, descontados na folha de pagamento. Já na Price dos Estados Unidos, tive contato com entidades que receberam recursos da United Way, como as escoteiras de Houston e um abrigo para mulheres vítimas de abuso. Percebi que o processo de seleção de projetos era sério e rigoroso, que a United Way de lá se preocupou em assegurar que as entidades beneficiadas atuassem com responsabilidade. Após ser transferido para o Brasil, e quando a PwC foi convidada a se associar à United Way daqui, entrei no comitê de projetos e participei em ações de voluntariado. Em 2005, fui para o conselho e, em 2007, assumi a presidência.
Qual o seu sonho para a United Way Brasil?
– Temos hoje um foco muito específico na área metropolitana de São Paulo e em algumas cidades vizinhas – Campinas, Jacareí e Sorocaba. Um dos meus sonhos é desenvolver uma estrutura mais nacional, ampliar nossa visibilidade na comunidade e ganhar o respeito do público em geral. Ao mesmo tempo, não quero deixar a impressão de que tenho um plano grandioso, sem estrutura. Tudo isso depende de recursos, e qualquer expansão será feita de forma responsável, assegurando o compromisso com os projetos apoiados.